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Apenas 1/3 das empresas brasileiras investe em inovação tecnológica

Publicado em 04/01/18

A usina de ideias de uma fábrica em São Paulo responde pelo nome de Francisco. O chefe da expedição criou gosto por inovar depois que ele ganhou um prêmio por inventar um jeito de economizar nas embalagens. “Antes era amarrado com arame. Com essa ideia que eu tive, a gente tá reutilizando as fitas", conta Francisco Cardoso, chefe de expedição.

Reduzir custo, ganhar qualidade e segurança é o propósito de toda inovação. O herdeiro de uma fábrica em São Paulo sabe disso, mas conta só com a criatividade dos operários. Falta coragem para investir na modernização do pátio.

“Como vai colocar um passivo hoje no seu balanço sem capacidade, sem segurança de poder sanar isso, de cumprir isso no futuro? Um investimento tem risco, mas no cenário que a gente está, é um risco muito alto”, avalia Felipe Tarkany, dono da empresa.

Uma referência em inovação no setor metalúrgico é a Alemanha - que além de ter grandes empresas de ponta, tem se preocupado com a modernização de toda a cadeia produtiva, inclusive as médias e pequenas indústrias.

Mas para o Brasil, essa ainda é a indústria de um futuro distante. Um relatório da Confederação das Indústrias indica que só 36% das empresas brasileiras investem em inovação. “O Brasil tem que apoiar as empresas que estão dispostas a fazer desenvolvimento de inteligência artificial, para colocar nos processos de produção. Tem que ajudar as empresas a fazerem desenvolvimento em novos materiais, na biotecnologia, coisa nova. Mas a gente também precisa investir na difusão. A gente precisa se preocupar com a chamada disseminação das novidades”, comenta Roberto Vermulm, especialista em economia industrial e tecnologia.

Em Poços de Calda, interior de Minas gerais, o futuro já chegou, mas chegou de contêiner, direto da Alemanha - onde fica a sede de uma indústria de alta tecnologia. “Você tem um produto de alta qualidade, com baixo nível de defeitos e alta performance na produção. Além de todo esse processo, todas as peças, armazenado num servidor”, explica Roberval Calca, diretor da fábrica. (Errata: diferente do que aparece no crédito do vídeo acima, o nome do diretor da fábrica é Roberval e não Roberto).

Se a maior parte do nosso parque industrial se parecer com um cenário retrô da nova indústria mundial, vamos empobrecer, acreditam os especialistas. “E qual é o problema de eu ficar cada vez mais pra trás? É que eu tenho menos renda. Se eu tenho menos renda, eu tenho menos condições, menos recursos para investir, crescer, criar novos empregos. A inovação é uma forma, digamos assim, nobre, dos países se desenvolverem. Aplica conhecimento na produção, gera renda e dá potencial de crescimento para os países. Se a gente não fizer isso, a nossa tendência é ficar pra trás e perder a corrida em relação aos grandes”, alerta Vermulm.

Fonte: http://g1.globo.com/

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